SUOR EXCESSIVO HIPERIDROSE

O QUE É A HIPERIDROSE?

A hiperidrose primária (ou o suor excessivo) caracteriza-se pela formação em excesso do suor, muito além do que o organismo precisa para regular a temperatura corporal.

Acredita-se que a causa possa estar na falha do mecanismo neurológico de controle da temperatura do corpo, com aumento da atividade do sistema nervoso simpático.

Os locais do corpo mais afetados são as mãos, as axilas, o rosto (associado ou não à vermelhidão – rubor facial) e os pés.

Quando acomete as axilas, pode estar associada à produção de cheiro desagradável, de forte intensidade, não melhorando com desodorantes comuns.

Os sintomas ficam mais evidentes durante e após a adolescência, levando a dificuldades no estudo, no relacionamento interpessoal social e também profissional.

As pessoas que tem a doença ficam constrangidas ao cumprimentar os outros com as mãos molhadas, tem dificuldades no trabalho para empunhar ferramentas (escorregam), utilizar computador, celular ou escrever. 

Em situações de tensão, as mãos suam tanto a ponto de pingar. Não podem utilizar camisas escuras ou coloridas pois facilmente aparecem as marcas do suor nas axilas.

A HIPERIDROSE É UMA DOENÇA COMUM

A hiperidrose é uma doença comum que afeta cerca de 1% da população geral. Todas as pessoas produzem suor em quantidade variável conforme cada biótipo. 

Algumas pessoas suam mais e outras menos e isto é perfeitamente normal. 

A doença ocorre quando somente uma ou mais regiões do corpo suam exageradamente, em uma quantidade acima daquela que o corpo precisaria para controlar a temperatura. 

Existe uma tendência genética para a doença, portanto é muito comum várias pessoas da mesma família terem a doença e em algumas famílias ninguém possuí-la.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da hiperidrose é feito na consulta médica, não existindo exame complementar que definitivamente confirme a doença. 

É possível medir a quantidade de suor produzido e o padrão de temperatura local mas isto não altera o diagnóstico. Isto pode auxiliar na escolha do tratamento mais adequado

Normalmente os pacientes chegam à consulta médica após já terem tentado vários tratamentos locais sem o resultado esperado.
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E como é o tratamento?

O tratamento da hiperidrose deve ser individualizado. Cada paciente tem características próprias que levam à definição da melhor conduta a ser tomada para alívio dos sintomas.

O tratamento envolve vários níveis de complexidade, podendo-se utilizar desde medicações de uso local (tópico), comprimidos via oral, injeções e até cirurgias minimamente invasivas (com pequenos cortes) chamadas de simpatectomias. 

A cirurgia consiste na secção (corte) de uma pequena região do sistema nervoso simpático (nervo) que comanda o suor em excesso. Esta região encontra-se no interior do tórax, havendo um conjunto de nervos para cada lado do corpo. A cirurgia chama-se simpatectomia torácica por videotoracoscopia.

Atualmente a cirurgia é realizada por técnicas menos invasivas, com 1 ou 2 incisões (cortes) de cerca de meio centímetro cada corte, localizados em cada axila. É uma cirurgia feita com anestesia geral e utiliza-se uma microcâmera que é introduzida no tórax pelas incisões. Muitas vezes nem necessita pontos. É uma cirurgia segura, com duração de cerca de uma hora.

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DÚVIDAS FREQUENTES

COMO É A RECUPERAÇÃO DA CIRURGIA?

A recuperação do paciente após a cirurgia é rápida. Normalmente o paciente interna na manhã do dia da cirurgia e recebe alta no fim do dia ou na manhã do dia seguinte. Como qualquer cirurgia, o paciente tem dor no pós-operatório, mas na maioria dos pacientes esta dor é leve e melhora com analgésicos comuns.

Recomenda-se 2 a 3 dias de afastamento do trabalho / estudo, com o paciente retornando brevemente às suas atividades normais. É importante ressaltar que cada paciente tem características próprias, o que interfere na sua recuperação, podendo ser mais rápida ou um pouco mais lenta.

QUAL O RESULTADO DA CIRURGIA?

A cirurgia é muito eficaz. A melhora dos sintomas é alcançada em cerca de 95% dos pacientes que fazem a cirurgia.

A melhora após a cirurgia é imediata, com o paciente já notando a diminuição do suor assim que acorda da anestesia.

EXISTE CONTRAINDICAÇÃO PARA FAZER A CIRURGIA?

Nem todos as pessoas podem realizar a cirurgia. A principal contraindicação é o paciente estar muito acima do peso, pois isto interfere no resultado final da cirurgia. Mas isto não é uma contraindicação absoluta, devendo cada paciente ter seu tratamento individualizado.

Como qualquer cirurgia, a simpatectomia torácica por videotoracoscopia para tratamento da hiperidrose apresenta riscos. Com o avanço das técnicas de cirurgia e anestesia o risco de complicações mais sérias é inferior a 1%.

O SUOR PODE PASSAR PARA OUTRA PARTE DO CORPO?

Pode acontecer de outras partes do corpo passarem a suar após a cirurgia. Isto chama-se hiperidrose reflexa ou compensatória. Isto acontece por um mecanismo neurológico de compensação da quantidade de suor que deve ser produzido com sua redistribuição para outras partes do corpo. Acontece também uma alteração na sensibilidade do sistema nervoso para a quantidade de suor que deve ser produzida.

A hiperidrose reflexa não acontece em todos os pacientes e quando acontece, na maioria dos pacientes é leve e não chega a incomodar. Poucos pacientes tem hiperidrose reflexa severa e nestes casos, existe a possibilidade de tratamento com remédios e em último caso, a reversão da cirurgia. Com as técnicas mais atuais da cirurgia, este risco é minimizado.

NOVAS TÉCNICAS PARA EVITAR A COMPENSAÇÃO (SUAR EM OUTRAS PARTES DO CORPO)

Nos últimos cinco anos houve um grande aperfeiçoamento das técnicas da cirurgia para hiperidrose. Passou-se a realizar a interrupção muito pequena do nervo simpático, em regiões bem específicas do tórax e de forma sequencial.

Novas pesquisas publicadas demonstraram que o temor de suar em outras regiões do corpo diminuiu muito, pois a compensação severa praticamente já não ocorre mais. Além disto, a percepção de suor leve no abdome, dorso e coxas chega a ser inferior a 11% dos pacientes que fazem a cirurgia com as novas técnicas.

O arrependimento de ter feito a cirurgia agora é muito raro, visto os avanços alcançados com esta técnica. O índice de sucesso (controlar a hiperidrose) chega a ser superior a 98% dos pacientes tratados.
Prof. Dr. Juliano Mendes de Souza - Cirurgião Torácico e Cardiovascular - CRM 18876-PR - RQE 14023 e 17346 / CURITIBA - Paraná
email: julianomendes.dr@gmail.com